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| De onde vem a madeira

Data: 17 de Julho de 2013 | Lida 3187 vezes. | Aumentar Fonte | Diminuir fonte | Imprimir

Entenda o processo produtivo e confira cuidados para garantir que o material usado na obra não tem como origem o desmatamento ilegal Reportagem: Juliana Martins
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Marcelo Scandaroli

Madeira é material comum nos canteiros devido à resistência, ao bom isolamento térmico e elétrico e à relativa facilidade de ser trabalhada manualmente ou por máquinas. Mesmo para aplicações temporárias como escoramentos, é importante escolher bem a espécie e checar itens como dimensões, teor de umidade e existência de defeitos naturais ou causados pelo processamento.

As árvores das quais é extraída a madeira podem ser provenientes de florestas nativas ou de reflorestamento. Nas primeiras a produção é contínua, mas há rodízio das áreas exploradas, com intervalo de 30 anos para que volte a crescer. Já o reflorestamento é feito com espécies exóticas, aquelas naturais de outra região ou país, mas cultivadas no Brasil.

Marcelo Scandaroli
Dois dos usos provisórios muito comuns para a madeira em canteiros é como fôrma para moldar concreto e como escoramento para lajes recém-concretadas

Essas práticas de manejo, quando realizadas com os devidos cuidados, como treinamento do pessoal, benefícios aos trabalhadores e redução de desperdício, podem se candidatar a receber certificação. Isso significa que é possível comprovar a origem da madeira por meio de Documento de Origem Florestal (DOF) ou por nota fiscal. É uma garantia de que a madeira não foi extraída ilegalmente, a partir da derrubada de florestas protegidas. Todo desmatamento deve ser autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por isso, só aceite mercadoria que tenha sido transportada acompanhada desse documento.

COMO RECONHECER MADEIRA
O uso de nomes populares, que mudam conforme a região, atrapalha a identificação das madeiras. Muitas vezes uma árvore tem vários apelidos ou o mesmo nome é dado para mais de uma espécie.

 

Em laboratório, podem ser identificadas visualmente, pois têm organização interna bastante característica e variável entre os grupos. Isso forma padrões de imagens parecidos com impressões digitais, mas que são visíveis apenas com lupa ou microscópio. Nas obras, a forma mais comum de identificar é usando os sentidos. Confira na tabela "Tipos de madeira para construção" alguns tipos de árvores e a melhor forma de reconhecê-las.

 

CUIDADOS DE ARMAZENAMENTO
Divulgação: Solução Madeiras
É preciso atenção para não estragar o material no canteiro. O ideal é que a madeira serrada, para estruturas, seja usada imediatamente. Se não for possível, devem ser empilhadas sem embrulhar e separadas por sarrafos, deixando juntas as que têm mesmo padrão, sempre protegidas de intempéries. Do contrário, a madeira pode apodrecer, manchar e até empenar. De forma geral, a madeira nunca deve ser umedecida.

 

 

APLICAÇÕES
Marcelo Scandaroli
Aplicação definitiva bastante comum para a madeira é como estrutura para telhado, como vigas e caibros. Nesses casos a madeira pode já vir pronta para o canteiro ou ser cortada pelos carpinteiros da obra
Conheça algumas aplicações para a madeira em obras.

 

» Construção civil pesada externa: peças de madeira serrada para uso como estacas marítimas, trapiches, pontes, obras imersas, postes, cruzetas, estacas, escoras, estruturas pesadas, torres de observação e vigamentos.

» Construção civil pesada interna: madeira serrada para vigas, caibros, pranchas e tábuas utilizadas em estruturas de cobertura.

» Construção civil leve externa e leve interna estrutural:peças serradas usadas como tábuas e pontaletes, principalmente para usos temporários como andaimes, escoramento e fôrmas para concreto. Além disso, servem como ripas e caibros utilizados em partes secundárias de estruturas de cobertura. Em esquadrias é usada a madeira serrada e beneficiada, como portas, venezianas e caixilhos.



Minimizando perdas
A certificação exige estudo para reduzir impactos da extração. É preciso abrir caminho na floresta até chegar às árvores que realmente interessam para corte, o que leva à derrubada de outras que não serão usadas. As empresas com certificação precisam estudar como retirar as árvores com o menor impacto possível.

O desperdício também existe nas obras, conforme conta Geraldo José Zenid, diretor do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Muitas vezes são pedidas peças com dimensões maiores para cortar no canteiro. O excesso é jogado fora. O ideal é definir o tamanho exato e receber as peças já prontas.

Também gera desperdício o uso de madeira errada devido à especificação equivocada ou fornecedores desonestos que enviam madeira diferente da solicitada. Para isso, Zenid recomenda que o profissional responsável pelo recebimento seja qualificado, por meio de curso específico, a identificar a madeira.

O visual nem sempre é suficiente para identificar e marceneiros experientes usam táticas sensoriais. A cor, o cheiro, o peso e até o gosto dão indicações sobre qual é a árvore. "É fácil confundir se a pessoa que recebe a madeira não é perita no assunto. Ele é facilmente enganado e paga caro por isso", diz Zenid.

 

 
NOMES POPULARES
NOME CIENTÍFICO
CARACTERÍSTICAS
USO
APLICAÇÕES
Cedrinho, bruteiro, cachimbo-dejabuti, cambará Erisma uncinatum warm, vochysiaceae Cor castanho-avermelhada; sem brilho; cheiro e gosto imperceptíveis; densidade baixa; e textura média a grossa Madeira fácil de aplainar, serrar e lixar, mas apresenta superfície de acabamento ruim (felpuda) Uso estrutural como ripa e uso temporário em fôrmas para concreto e pontaletes
Eucalipto-grandis e eucalipto Eucalyptus grandis w. Jill ex maiden, myrtacease Apresenta duas tonalidades - begerosado e castanhorosado- claro. Tem pouco brilho e o cheiro e o gosto são imperceptíveis Macia ao corte, textura entre fina e média Ripas e partes secundárias de estruturas e pontaletes
Mandioquinha, canela-mandioca, mandioqueiro, mandioqueira-vermelha e mandioqueira-escamosa Ruizterania albiflora (warm.) Marc.-Berti, vochysiaceae Bege-clara levemente rosada a avermelhada. Brilho moderado, com cheiro e gosto imperceptíveis A densidade é média e é relativamente dura ao corte. A textura tem aspecto fibroso Ripas, partes secundárias da estrutura, pontaletes, fôrmas para concreto e chapas compensadas
Pinus-eliote, pinheiro, pinheiroamericano e pinus Pinus elliottii engelm., Pinaceae Cor brancoamarelada e brilho moderado. O cheiro e o gosto são distintos e característicos (parece resina) A densidade é baixa e é macia ao corte. A textura é fina Ripas e partes secundárias da estrutura, fôrmas para concreto e pontaletes
Guaruba, guarubacedro, quarubaverdadeira e quaruba-goiaba Vochysia spp., Vochysiaceae Cores rosada, cinzaclara e cinza-rosada. Brilho moderado ou ausente. Cheiro e gosto imperceptíveis Densidade baixa e macia ao corte. Textura entre média e grossa Ripas, partes secundárias de estruturas, fôrmas para concreto e pontaletes

 

Oferta ampliada
Madeiras exóticas são alternativas às espécies mais comuns, como o pínus e o eucalipto. "Como será utilizada por pouco tempo, a madeira exótica seria a melhor opção. Afinal, a nativa tem dureza e qualidade superiores às necessárias para essas aplicações", assegura Érica Ferraz de Campos, coordenadora técnica do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

Dentre as técnicas para produzir madeiras de melhor qualidade está o melhoramento genético, em que há cruzamento de árvores com boas características para surgimento de uma mais resistente. Na reprodução vegetativa, a árvore é clonada e dá origem a outra com exatamente as mesmas características.

 

Apoio técnico: Geraldo José Zenid, diretor do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do IPT, Érica Ferraz de Campos, coordenadora técnica do CBCS, e Vanderley Moacyr John, coordenador do Comitê de Materiais do CBCS e professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP)

http://www.equipedeobra.com.br/construcao-reforma/49/artigo261012-1.asp

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